Angola defendeu, terça-feira, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, a promoção da boa governação, do combate à corrupção, do fortalecimento das instituições do Estado e do estabelecimento de sistemas de alerta prévio para fazer face ao terrorismo.
A posição do país foi assumida pelo ministro das Relações Exteriores durante a participação no debate aberto do Conselho de Segurança das Nações Unidas Contra o Terrorismo em África, organizado pela Argélia.
Téte António fez saber que o Governo angolano acompanha, com elevada preocupação, a propagação do terrorismo e do extremismo violento em várias regiões do mundo, por estar a comprometer a implementação da Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2063 da União Africana.
“Angola condena o terrorismo em todas as suas formas e manifestações e defende a necessidade de se encontrarem soluções adequadas, sustentáveis e previsíveis de financiamento para suster os esforços globais e complementares de combate ao terrorismo”, salientou.
O chefe da diplomacia angolana ressaltou que o terrorismo é um grande desafio à paz e à segurança internacional, representando uma das ameaças existenciais mais perigosas para qualquer país. “Hoje, é consensual que o terrorismo representa um fenómeno complexo e transversal a todas as regiões do Planeta, bem como a mais séria ameaça à paz e à segurança mundial, pois mina os valores e os princípios fundamentais do século XXI, incluindo o desenvolvimento sustentável, a democracia, os direitos humanos e as liberdades fundamentais”, destacou.
Em função desta realidade, o ministro das Relações Exterior reiterou que Angola defende a pertinência da implementação das Decisões da 16.ª Sessão Extraordinária da Assembleia de Chefes de Estado e de Governo da UA sobre Terrorismo e Mudanças Inconstitucionais de Governo, realizada em Maio de 2022 em Malabo, Guiné Equatorial.
Esta reunião, proposta pelo Presidente João Lourenço, analisou as causas e adoptou medidas para a prevenção e combate a estes dois flagelos no continente.
Téte António lembrou que os líderes africanos sublinharam, na ocasião, a necessidade de se conjugar esforços a nível regional e continental, para combater o terrorismo e o extremismo violento.
Essa conjugação de esforços, esclareceu , passa pela materialização do Plano de Acção para o Combate Robusto ao Terrorismo, maior partilha de informação e o reforço e criação de capacidades integradas do Centro de Combate ao Terrorismo da União Africana.
O ministro das Relações Exteriores sustentou que as acções contra o terrorismo devem ser apoiadas com recursos financeiros e apoio técnico e logístico sustentáveis, nomeadamente por via do aumento de sinergias entre as Nações Unidas e a União Africana, em particular na mobilização de fundos, no âmbito da implementação da Resolução 2719 sobre o financiamento das operações de paz lideradas pela organização continental africana. Na sequência, Téte António defendeu uma abordagem multilateral e integrada como opção estratégica para o combate eficaz ao terrorismo.
Situação é crítica no continente africano
O governante angolano observou que a situação, em África, é, particularmente, crítica, tendo ilustrado que, de acordo com o Índice do Terrorismo Global de 2024, o epicentro do terrorismo saiu do Médio Oriente para a região do Sahel Central, África Subsaariana, sendo, agora, responsável por mais de metade de todas as mortes causadas por este flagelo.
“Grupos terroristas estão a actuar com maior incidência na África do Norte, Sahel, África Central, Corno de África, África Oriental e África Austral, particularmente na região de Cabo Delgado, em Moçambique, provocando um número elevado de mortes, mutilações, deslocados e refugiados e agravando as condições de fome, miséria e pobreza de milhares de cidadãos”, denunciou.
O chefe da diplomacia angolana deu a conhecer, por outro lado, que o terrorismo tende a desencorajar o investimento privado e a estimular a emigração dos jovens africanos para outras partes do globo, situação que ameaça o desenvolvimento económico e social de África e das perspectivas de bem-estar do seu povo.
Outra preocupação levantada pelo ministro das Relações, naquela reunião, prende-se com o aproveitamento de zonas de conflitos por terroristas, como é o caso dos ADF, que actuam no Leste da RDC, numa região por si já infectada por vários grupos armados.